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Concentração em inteligência artificial leva investidores a buscar diversificação

Exposição de ações e crédito dos Estados Unidos à IA aumenta a procura por hedge funds, mercados emergentes e ativos reais.

Concentração em inteligência artificial leva investidores a buscar diversificação
Foto: Michael M. Santiago/Getty Images via AFP

A concentração de investimentos ligados à inteligência artificial (IA) em ações e títulos de empresas dos Estados Unidos tem levado gestores a buscar estratégias menos dependentes do desempenho do setor. A preocupação é reduzir o impacto de uma eventual mudança no sentimento dos mercados em relação à tecnologia.

Mais de dois terços das companhias do índice Russell 1000, que reúne grandes grupos americanos, têm algum vínculo com a IA, seja diretamente ou pela incorporação da tecnologia aos negócios, segundo pesquisa do Citigroup. No mercado de títulos de grau de investimento, empresas de tecnologia e companhias beneficiadas pelo aumento dos gastos com IA representam cerca de 16% do mercado americano, conforme dados do JPMorgan. O grupo se tornou o maior desse segmento após uma forte onda de captação de empréstimos nos últimos anos.

Alternativas à concentração

Para Ryan Marshall, chefe global de estratégias e soluções multiativos da BlackRock, existe demanda por carteiras com fontes de retorno independentes e não correlacionadas. Ele afirmou que a concentração em exposições relacionadas à IA é um dos desafios para estratégias que buscam amplitude e diversificação.

A dependência também alcança fornecedores ligados à energia, à infraestrutura e à cadeia de suprimentos, além da relação entre o crescimento econômico e a IA. Segundo Marshall, esse cenário tem levado investidores a classes de ativos privados, hedge funds e outras áreas com correlações mais baixas.

Entre as estratégias citadas estão fundos macro globais e operações long-short em ações, especialmente quando os gestores conseguem demonstrar que seus retornos são independentes dos riscos mais amplos dos mercados de ações e dívida. Vincent Mortier, diretor de investimentos da Amundi, disse que os clientes estão “reavaliando a forma como precisam diversificar”.

Mortier também mencionou o interesse crescente por mercados emergentes, incluindo ações e títulos em moedas locais de regiões e países como América Latina, Índia e China. Ativos reais, como mineração e energias renováveis, foram apontados como outras alternativas por terem elementos tangíveis.

Estratégias de fundos e renda fixa

Daniel Gamba, copresidente e diretor comercial da Franklin Templeton, afirmou que equipes de investimento avaliam a IA como um fator de retorno, ao lado de valor, momentum e crescimento. O objetivo é montar carteiras com menor exposição à volatilidade associada à tecnologia.

A Franklin Templeton mantém uma visão positiva sobre ações americanas, embora menos otimista do que no início do ano, e também sobre o Japão e diversos mercados emergentes. Gamba disse que a gestora não pretende se concentrar apenas nas poucas empresas que investem quase US$ 1 trilhão em infraestrutura de IA.

Na renda fixa, a gestora analisa títulos com vencimentos mais curtos e evita assumir grandes riscos de juros na ponta longa, exceto quando os investidores buscam renda. Gamba também afirmou que há maior demanda por hedge funds sistemáticos e por diversificação de fatores relacionada à IA.

Mortier comparou o momento atual ao ambiente descrito pelo ex-chefe do Citigroup Chuck Prince em julho de 2007, antes do início da crise financeira global. Para ele, a diversificação ganhou importância porque é difícil prever quando o movimento dos mercados pode mudar, embora os gestores citados não tenham apontado um gatilho iminente para uma grande onda de vendas.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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