SÃO FRANCISCO (CALIFÓRNIA) — A Microsoft começará em 2027 a implementar em larga escala seus chips de inteligência artificial Maia, desenvolvidos internamente. A empresa quer que esses componentes se tornem o principal hardware para executar IA em seus produtos, em uma estratégia que pode diminuir sua dependência da Nvidia.
O Maia 200 já está em operação, inclusive no Microsoft 365 Copilot. O chip executa modelos da OpenAI, sistemas desenvolvidos internamente pela Microsoft e os principais modelos de código aberto. Segundo a empresa, ele está instalado nos Estados Unidos, na Europa e na Austrália.
A Microsoft afirma que o Maia 200 oferece até 1,7 vez mais desempenho por watt do que os principais sistemas baseados em GPUs em recursos de IA integrados ao Teams e ao Copilot. O próximo modelo, o Maia 300, será lançado em 2027.
A empresa informou que o novo chip poderá realizar 40% mais tarefas de IA consumindo a mesma quantidade de eletricidade que os principais sistemas. Na comparação com o chip anterior da Microsoft, o desempenho será superior ao dobro.
Cada rack de servidores, estrutura do tamanho de um armário em um data center, terá 96 chips. A capacidade de processamento de uma carga de trabalho poderá chegar a sete vezes a anterior, informou a Microsoft. Os componentes de computação serão fabricados pela taiwanesa TSMC.
Disputa por eficiência
A Nvidia mantém domínio quase absoluto sobre os chips usados no treinamento de modelos de IA. Empresas de tecnologia e fabricantes concorrentes, porém, disputam espaço na chamada inferência, etapa em que os modelos já em operação respondem a perguntas e executam tarefas.
A demanda por esse tipo de processamento cresce com a expansão de assistentes de IA e agentes capazes de realizar tarefas em várias etapas. Nvidia, AMD, Amazon e Google também apresentam produtos nesse segmento.
A Microsoft planeja instalar chips suficientes para consumir vários gigawatts de eletricidade, volume comparado pela empresa à produção de vários reatores nucleares de grande porte. A eficiência energética se tornou uma preocupação para as empresas de tecnologia, diante do aumento da demanda elétrica da IA.
Os sistemas são refrigerados principalmente por líquido, mas podem operar em data centers mais antigos com refrigeração a ar. Engenheiros da Microsoft disseram que um dos focos do projeto foi reduzir a energia desperdiçada na transferência de dados dentro das máquinas.



