SÃO PAULO — A campanha do presidente Lula (PT) à reeleição pretende explorar a mudança de posição de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre o fim da escala 6x1. A avaliação é que o recuo do senador, candidato à Presidência, pode ser apresentado como sinal de falta de confiabilidade aos eleitores.
Na terça-feira (13), Flávio declarou que votará a favor da PEC que acaba com a escala de trabalho. Antes, ele classificava como oportunista a discussão da proposta durante o período eleitoral. A declaração ocorreu depois de uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está em prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado.
“A maioria dos trabalhadores brasileiros querem o fim da 6x1, então vou votar a favor”, afirmou Flávio.
Marco Aurélio Carvalho, coordenador da campanha de Lula em São Paulo e do grupo Prerrogativas, disse que o senador teria buscado autorização do pai para mudar de posição por cálculo eleitoral. Ele também afirmou que Flávio não conseguiria sustentar as posições e os acordos que assume.
Na estratégia da campanha petista, o episódio será relacionado a outros posicionamentos do candidato do PL. Marco Aurélio questionou se Flávio manterá a proibição das Bets e a prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Para o coordenador, a mudança pode ajudar a aprovação da PEC no Senado, mas não necessariamente produzir efeito eleitoral positivo para Flávio. A avaliação é que parte de sua base pode considerar artificial a decisão por ter ocorrido durante a disputa.
A votação da PEC está prevista para esta quarta-feira (14), conforme a pauta definida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A proposta prevê um dia a mais de folga com manutenção do salário e é uma das principais apostas de Lula para tentar uma virada no segundo turno da eleição, enquanto o petista aparece atrás de Flávio nas pesquisas.



