Ministros do Supremo Tribunal Federal avaliam que o presidente da corte, Edson Fachin, não reagiu com urgência à crise envolvendo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O episódio mais recente foi a sequência de decisões de André Mendonça e Flávio Dino sobre a permanência de Rodrigues no cargo.
Mendonça havia determinado o afastamento do diretor. Depois, Dino decidiu reintegrá-lo. Um magistrado aliado de Dino afirmou que a reintegração expressou insatisfação com a decisão de Fachin de não reverter imediatamente o afastamento e de estabelecer 72 horas para que o relator do caso Master se manifestasse.
Mendonça também procurou Fachin e pediu providências. Segundo o ministro, Dino teria desrespeitado procedimentos conduzidos pelo presidente do Supremo e o julgamento da Segunda Turma, que havia formado maioria para manter o afastamento de Rodrigues. Após a pressão, Fachin cancelou a sessão plenária prevista para quarta-feira (9).
Integrantes dos grupos ligados aos dois ministros dizem que a cautela de Fachin está prolongando o desgaste do tribunal, com possíveis efeitos sobre as campanhas eleitorais. Pessoas da equipe do presidente da corte relatam, por outro lado, que ele defende cautela e discrição para preservar as instituições diante de uma crise sem precedentes.
A composição do Supremo está dividida. Mendonça conta com o apoio de Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. Alexandre de Moraes tem o respaldo de Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin. Moraes também está envolvido nos desgastes relacionados a contatos com Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Cármen Lúcia é vista como possível voto decisivo, mas ainda não escolheu um dos grupos. A participação de Dias Toffoli nos julgamentos sobre o caso permanece incerta, porque ele se declarou suspeito em processos ligados ao Master.
Um magistrado alinhado a Moraes afirmou que afastar o diretor-geral da PF em meio a investigações relevantes seria equivalente a retirar o comandante das Forças Armadas durante uma guerra. O mesmo integrante avaliou que os registros do encontro particular entre Mendonça e Vorcaro, mencionados na decisão de Dino, seriam mais graves que as alegações feitas contra Toffoli quando ele deixou a relatoria do caso.
Em nota, Mendonça disse que se encontrou com Vorcaro para tratar de um julgamento sobre precatórios e que votou contra a posição defendida pelo ex-banqueiro. O ministro afirmou a auxiliares que sua motivação é “fazer o que é certo”. Em solenidade no Conselho Nacional de Justiça, Fachin declarou que o Poder Judiciário “está à altura dos desafios que se apresentam no momento contemporâneo”.


