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PSOL perde vagas e acesso a recursos após concentração de votos em poucos candidatos

Erika Hilton, Sâmia Bomfim e outros nomes tiveram votações expressivas, mas o partido não atingiu a cláusula de barreira.

PSOL perde vagas e acesso a recursos após concentração de votos em poucos candidatos
Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados

O PSOL terminou a eleição para a Câmara dos Deputados sem alcançar a cláusula de barreira e perdeu vagas por não conseguir transformar a votação de seus principais candidatos em cadeiras para a legenda. Com isso, o partido ficou sem acesso ao Fundo Partidário e ao horário gratuito no rádio e na televisão.

Erika Hilton e Sâmia Bomfim, em São Paulo, além de Jones Manoel, em Pernambuco, tiveram votações significativas. Os demais candidatos do PSOL, porém, não atingiram o patamar necessário para completar a eleição de colegas de partido.

A cláusula de barreira exige que a legenda eleja 13 deputados distribuídos por nove estados ou alcance 2,5% dos votos para a Câmara em nove estados, com pelo menos 1,5% em cada um deles. O desempenho mínimo também pode garantir o acesso aos recursos públicos destinados à manutenção dos partidos e à propaganda eleitoral gratuita.

Concentração de votos

Em São Paulo, Erika Hilton recebeu mais de 1,5 milhão de votos, enquanto Sâmia Bomfim superou 500 mil. A votação das duas seria suficiente para garantir nove cadeiras ao PSOL, mas o partido ocupou seis vagas porque outras candidaturas não chegaram ao mínimo exigido.

Sâmia Bomfim afirmou que é difícil prever o desempenho de candidaturas cuja força vem principalmente da opinião dos eleitores, e não de estruturas territoriais ou de máquinas políticas. Para ela, o partido tem novas lideranças, mas parte desses nomes ainda não consolidou uma base eleitoral capaz de participar de forma relevante da distribuição de votos.

No Distrito Federal, Fábio Felix foi o candidato mais votado para a Câmara, mas não elegeu colegas do PSOL. O resultado individual não foi suficiente para ampliar a representação da legenda, porque o cálculo considera o desempenho do partido — o chamado quociente eleitoral.

O professor de ciência política da UnB Frederico Bertholini avaliou que o resultado indica maior organização do Partido Liberal nas eleições proporcionais. Em Minas Gerais, a votação de Nikolas Ferreira contribuiu para que o PL conquistasse 21 vagas, inclusive com a eleição de candidatos que não tiveram votação expressiva.

Federação com o PT

Uma alternativa para o PSOL seria formar uma federação com partidos aliados, como o PT. A proposta foi rejeitada pelos psolistas em março, sob o argumento de preservar a independência da sigla. As federações obrigam os partidos a atuar conjuntamente por, no mínimo, quatro anos, e somam os resultados das legendas nos cálculos eleitorais e na distribuição de recursos.

No Distrito Federal, a federação não mudaria o número de eleitos. A soma chegaria a 476.592 votos e manteria as duas cadeiras de Fábio Felix e Agnelo Queiroz. Na distribuição das sobras, Reginaldo Veras conquistaria uma vaga por média.

Em São Paulo, a união acrescentaria duas cadeiras à federação. Paulo Teixeira e Reis, ambos do PT, entrariam nos lugares de Maria Rosas, do Republicanos, e Carlos Bezerra Jr., do PSD. Em outra troca dentro da própria federação, Rui Falcão substituiria Sônia Guajajara, mantendo o total de vagas do grupo.

A federação também ajudaria o PSOL a cumprir a exigência de eleger deputados em pelo menos nove unidades da federação. Mesmo ultrapassando o percentual nacional, porém, o grupo alcançou o mínimo estadual em apenas oito estados.

Disputa judicial

Para recuperar o acesso ao Fundo Partidário, o PSOL recorreu à Justiça. O partido tenta obter do Tribunal Superior Eleitoral uma retotalização dos votos no Espírito Santo. A federação ficou a 185 votos do patamar necessário no estado, calculado sobre o total de votos válidos apurados.

O PSOL argumenta que houve candidaturas laranjas no Espírito Santo e contesta a conclusão de que não alcançou a cláusula de barreira. Em nota, a legenda afirmou: “Vamos lutar para provar na Justiça que algumas dezenas de votos não são justificáveis”.

Estratégia e financiamento

A concentração de recursos em candidaturas com maior potencial eleitoral é apontada como parte da explicação para o resultado. Em Brasília, Fábio Felix recebeu quase R$ 2,3 milhões, sendo mais de 90% desse valor repassado pelas direções nacional e estadual do PSOL. Enfermeira Karine, segunda mais votada da coligação, teve 4,3 mil votos e recebeu cerca de R$ 340 mil do partido.

Para o diretor de marketing Fabio Eloi, os partidos investiram nos chamados puxadores de votos e esperaram que as candidaturas menos conhecidas alcançassem o número necessário para superar o quociente. Isso não ocorreu no PSOL nem em outras legendas de esquerda, como o PDT, que também não ultrapassou a cláusula de barreira.

Eloi também relacionou o desempenho à presença nas redes sociais. Segundo ele, os candidatos com maior votação têm público consolidado e dominam a linguagem dessas plataformas. A distribuição territorial de votos é outro fator apontado no desempenho do PL, com prefeitos e vereadores atuando como cabos eleitorais em cidades e territórios.

Em 2024, o PL conquistou 16 cidades entre as mais populosas do Brasil.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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