SINGAPURA — Bancos concederam até US$ 595 bilhões (R$ 2,98 trilhões), desde 2020, a empresas associadas ao desmatamento tropical e à destruição de ecossistemas, informou nesta quarta-feira (14) a coalizão Forests & Finance. Os dados fazem parte do relatório anual Banking on Biodiversity Collapse.
Do total, US$ 351 bilhões (R$ 1,76 trilhão) foram destinados a empresas de commodities agrícolas classificadas como de “alto risco”. Outros US$ 244 bilhões (R$ 1,23 trilhão) foram para companhias de mineração.
A coalizão afirma que esses setores estão entre os principais responsáveis pelo desmatamento, pela degradação do solo e por conflitos comunitários em bacias florestais tropicais da América do Sul, do Sudeste Asiático e da África Central e Ocidental. Também diz que os bancos responsáveis pelos créditos de maior risco ainda não contam com salvaguardas suficientes para reduzir danos ambientais e sociais graves.
Crescimento do crédito
Os empréstimos e as subscrições anuais para mineradoras que atuam em países com grandes áreas de floresta tropical subiram 55% entre 2016 e 2025. O volume passou de US$ 23,7 bilhões (R$ 119,4 bilhões) para US$ 36,7 bilhões (R$ 184,8 bilhões), com os maiores avanços no financiamento de lítio e níquel.
No setor de commodities agrícolas, o financiamento anual associado a riscos florestais aumentou 71% desde 2016, de US$ 37,9 bilhões (R$ 190,8 bilhões) para US$ 64,7 bilhões (R$ 326,2 bilhões). Nesse intervalo, o crédito para a indústria de carne bovina cresceu mais de 50%; o destinado à soja, 137%; e o de celulose e papel, 157%.
Na Indonésia, os bancos repassaram US$ 67,1 bilhões (R$ 337,7 bilhões) desde 2020 para os setores de celulose e óleo de palma. Segundo a coalizão, esse financiamento contribuiu para o desmatamento e a drenagem de turfeiras, deixando Kalimantan e Sumatra mais vulneráveis a incêndios e inundações.
Uma nova rodada de negociações sobre biodiversidade global está prevista para começar em Yerevan, na Armênia, em 19 de outubro. O encontro deverá fazer um balanço das metas de conservação para 2030, que, segundo a coalizão, ainda estão longe do esperado.



