O ex-governador e senador eleito em Mato Grosso Mauro Mendes (União Brasil) criticou o fim da escala 6x1 e defendeu mudanças na legislação trabalhista brasileira inspiradas no modelo dos Estados Unidos. As declarações foram dadas na tarde desta segunda-feira (5), após reunião com representantes do PL e da coligação do União.
Mendes afirmou que trabalhadores brasileiros deveriam ter liberdade para cumprir jornadas mais longas. Ele citou brasileiros que vivem nos Estados Unidos e disse que muitos trabalham por períodos de 10, 12, 14 ou 16 horas por dia e, em sua avaliação, recebem mais e têm qualidade de vida melhor.
O senador eleito também comparou a legislação brasileira com a americana e questionou a possibilidade de uma empresa ser processada por trabalho escravo quando um funcionário trabalha 11 horas por dia. “Olha que absurdo”, afirmou.
A legislação brasileira estabelece jornada normal de até oito horas por dia e 44 horas semanais. A CLT permite, em regra, até duas horas extras por dia, desde que haja acordo individual ou negociação coletiva. Essas horas devem ter adicional de ao menos 50% sobre o valor da hora normal.
O Ministério do Trabalho afirma que o trabalho análogo à escravidão pode ser caracterizado, entre outras situações, pela submissão a jornada exaustiva. A avaliação depende das condições concretas, e a jornada pode ser considerada exaustiva quando compromete a recuperação física e mental do trabalhador.
Debate no Senado
As declarações ocorreram um dia antes de o Senado iniciar, nesta terça-feira (6), a discussão em Plenário da PEC que prevê o fim da escala 6x1. A proposta reduz gradualmente a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial, e prevê dois dias de repouso semanal remunerado.
O texto estabelece que a jornada passe para 42 horas semanais dois meses após eventual promulgação da emenda e chegue a 40 horas um ano depois. A organização dos horários poderá variar conforme a atividade e regras definidas em acordos e convenções coletivas.
A aprovação depende de ao menos 49 votos favoráveis em dois turnos no Senado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), sinalizou que a votação em primeiro turno poderá ocorrer na próxima semana, depois das sessões de debate previstas no regimento.
Estimativas sobre os custos
A CNI calculou que a redução de 44 para 40 horas poderia elevar os custos das empresas em até R$ 267,2 bilhões por ano, equivalente a 7% da folha de pagamento.
O Ipea estimou alta de 7,84% no custo da mão de obra, mas apontou que o impacto poderia ser absorvido pela economia. Já o FGV Ibre projetou redução de cerca de 638 mil empregos formais e impacto negativo de 0,7% no PIB, com efeitos maiores nos setores de construção, comércio e agropecuária.
Nos Estados Unidos, a legislação federal determina adicional de ao menos 50% para empregados cobertos pela regra de horas extras que trabalhem mais de 40 horas por semana. A lei não fixa, de forma geral, um limite máximo diário ou semanal para trabalhadores adultos.
Em setembro de 2026, a jornada média no setor privado não agrícola americano foi de 34,4 horas semanais. Na indústria, a média chegou a 40,6 horas e, na construção, a 39,2 horas.


